Três lições adquiridas ao longo da minha trajetória como advogada de família.
- Nathalia Fernanda Dalcolmo Pinheiro

- 16 de jan.
- 2 min de leitura

Com o tempo e a prática, aprendi que meu papel como advogada de família vai muito além da aplicação da lei. Ele envolve responsabilidade, sensibilidade e, sobretudo, cuidado com os limites da minha atuação.
O Direito de Família lida com pessoas reais, histórias de vida, escolhas difíceis, rupturas e recomeços. Não estamos falando apenas de processos, mas de relações afetivas, expectativas frustradas e decisões que impactam profundamente a vida de todos os envolvidos. E isso muda completamente a forma de exercer a advocacia.
A seguir compartilho 03 aprendizados que a experiência como advogada de família me mostrou ao longo dessa caminhada:
1. Escuta ativa e empatia fazem toda a diferença:
Nos conflitos familiares, muitas vezes a pessoa precisa não apenas de uma orientação ou solução jurídica imediata, mas de ser escutado.
A escuta ativa e a empatia cumprem um papel fundamental nesses casos. Elas permitem que o cliente se sinta acolhido, compreendido e respeitado em sua dor. Esse espaço de fala, por si só, pode ter uma função quase terapêutica: ajuda a organizar pensamentos, identificar sentimentos e reduzir a angústia que acompanha momentos de crise.
Além disso, quando o cliente se sente ouvido, ele consegue compreender melhor as informações jurídicas, participar de forma mais consciente das decisões e enfrentar o processo com mais clareza e segurança.
2. O apoio psicológico é fundamental em muitos casos:
Por mais que o advogado de família precise desenvolver habilidades de escuta e sensibilidade, é importante reconhecer os limites da atuação jurídica.
Advogados não são psicólogos ou terapeutas. Em muitos casos, o acompanhamento psicológico é essencial para que o cliente consiga lidar emocionalmente com separações, disputas, lutos, conflitos parentais ou reorganizações familiares profundas.
Reconhecer essa necessidade e incentivar o cuidado com a saúde emocional não enfraquece o trabalho jurídico — ao contrário, fortalece. Um cliente emocionalmente amparado tende a tomar decisões mais equilibradas, compreender melhor os caminhos possíveis e atravessar o processo de forma menos dolorosa.
3. Muitos conflitos poderiam ser evitados com orientação jurídica no momento certo:
Talvez um dos maiores aprendizados da advocacia de família seja este: muitos conflitos poderiam ser evitados — ou ao menos vividos com menos sofrimento — se a orientação jurídica viesse antes das decisões e não apenas depois do conflito instalado.
Buscar um advogado de família não significa “arrumar briga”. Significa esclarecer caminhos, compreender direitos e deveres, planejar o futuro e prevenir desgastes emocionais, financeiros e familiares.
Orientação jurídica prévia ajuda pessoas a fazerem escolhas mais conscientes e seguras, seja antes de iniciar um relacionamento, formalizar uma união, casar, ter filhos ou organizar questões patrimoniais e sucessórias.
Considerações finais:
A advocacia de família exige técnica, estudo e responsabilidade, mas também humanidade, escuta e ética no cuidado com o outro. Cada caso carrega uma história única, e cada decisão tem impactos que vão muito além do processo.
Mais do que resolver conflitos, o Direito de Família pode — e deve — ser um instrumento de prevenção, orientação e reconstrução de caminhos.



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